Não gosto de textos de autoajuda e reflexivos, acho que a reflexão deve partir de dentro de cada pessoa, porém, há certos assuntos, que na verdade não sei bem se são reflexão ou não, que valem a pena perder algum tempo conversando com um amigo, com o namorado(a), com os pais ou com qualquer outra pessoa que queira 'argumentar' sobre isso.
Desde a semana passada, quando não obtive sucesso em um trabalho acadêmico da disciplina de Fotojornalismo - um documentário com fotos da 4ª Virada Cultura do Interior Paulista - do professor Jeff (vale muito a pena conferir o Flickr dele), resolvi mudar o tema. Há alguns anos, ainda no colegial, visitei o Lar São Vicente de Paula, um lar de idosos. O ambiente é bastante familiar, literalmente, cada idoso tem a sua casinha e os que têm mais dificuldade (de locomoção ou algum problema de saúde) recebem acompanhamento o dia todo. Começamos a fotografar e logo na primeira foto senti que aquele trabalho iria render muito mais do que boas fotos, iria render um prazer sentimental imenso. Era feriado, friozinho e ensolarado. A conversa de aproximação era 'E ai, está frio hoje não é? No Sol está gostoso.' E víamos aqueles rostinhos enrugados olharem para nós e para a câmera com certa curiosidade de quem já viu muito na vida, mas nunca havia visto um aparelho daquele de perto.
Desde a semana passada, quando não obtive sucesso em um trabalho acadêmico da disciplina de Fotojornalismo - um documentário com fotos da 4ª Virada Cultura do Interior Paulista - do professor Jeff (vale muito a pena conferir o Flickr dele), resolvi mudar o tema. Há alguns anos, ainda no colegial, visitei o Lar São Vicente de Paula, um lar de idosos. O ambiente é bastante familiar, literalmente, cada idoso tem a sua casinha e os que têm mais dificuldade (de locomoção ou algum problema de saúde) recebem acompanhamento o dia todo. Começamos a fotografar e logo na primeira foto senti que aquele trabalho iria render muito mais do que boas fotos, iria render um prazer sentimental imenso. Era feriado, friozinho e ensolarado. A conversa de aproximação era 'E ai, está frio hoje não é? No Sol está gostoso.' E víamos aqueles rostinhos enrugados olharem para nós e para a câmera com certa curiosidade de quem já viu muito na vida, mas nunca havia visto um aparelho daquele de perto.
Os olhos de quem nunca havia ido num lugar como aquele brilhavam a cada história, a cada aproximação e eu me sentia bem por estar acompanhada de alguém que é tão emotivo quanto eu. A reflexão veio depois, quando conversamos sobre o final que a vida tem. O triste final que a vida tem. Alguns idosos estávam lá por mero descaso da família, dos filhos. Dos filhos para os quais trabalharam duro, a vida toda, para criar e que durante alguns anos não puderam dedicar seu trabalho para cuidar mais afetivamente, dentro de casa, dos seus queridos pais. Outros nem filhos têm. E outros estávam lá por não ter mais nenhum parente com quem pudesse dividir um teto.
A felicidade de um ao nos ver com a câmera o impulsionou a andar até nós com a sua cadeira de rodas. Pediu a caneta e o papel no qual eu fazia algumas anotações. Começou a escrever, devia ser um recado para mim, uma carta talvez. Escreveu do seu modo e eu li, digo até que entendi o que nenhuma outra pessoa entenderia. A senhora das Bonecas também me encantou. Numa cadeira de rodas encostada à parede ela segura uma bolsinha cheia de mini-bonecas de pano, me parece. Ao seu lado há ainda uma outra cadeira cheia de bonecas, maiores. Fiquei me pergutando, em todos os outros e em especial nesta, quais serão os pensamentos deste senhora? Com o que ela trabalhava quando jovem, se tem filhos, se ela se sente criança ainda. Quanta coisa! A atmosfera deste lar é simplesmente carregada de emoção e principalmente carregada de histórias.
Um comentário:
Amiga, deixou meu coração na boca...Ao mesmo tempo que relata um fato com a perfeição da jornalista, deixa fugir um tanto de emoção e um tanto de história pessoal...Ficou especial...
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