sábado, 27 de março de 2010

Grupo Teatral Athos recebe orientação artística profissional



O Grupo Teatral Athos, de Batatais, é selecionado para participar do projeto Ademar Guerra, uma iniciativa do governo do estado de São Paulo e da ASSAOC – Associação Amigos das Oficinas Culturais. A iniciativa do projeto é contribuir no aprendizado e profissionalismo dos grupos de teatro amadores do interior do estado por meio do conhecimento de orientadores artísticos. O resultado da seleção saiu em fevereiro e as orientações começam em abril. O grupo sempre soube da existência do projeto, mas somente este ano resolveu participar e enviou todo o material que caracteriza as atividades e peças desenvolvidas por eles ao longo dos anos, juntamente com um plano intitulado “Atos de Rua”. No total foram 60 grupos inscritos para apenas 30 vagas. Até mesmo os orientadores passaram por seleção. O diretor do grupo Athos, José Ricardo da Silva (foto), é o entrevistado e afirma que Batatais precisa ser sensibilizada para o Teatro.

O Grupo Athos atua em Batatais há oito anos. Entre o repertório de peças já apresentadas estão: Bailei Na Curva, de Júlio Conte, O Palhaçinho Triste e a Rosa, de Maria Cecília Marques, adaptação de Chapeuzinho Vermelho e de textos de autores renomados, como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Cury.  Hoje aproximadamente 20 pessoas integram o elenco.

O projeto Ademar Guerra existe desde 1997 e desde então vem atuando junto aos grupos de teatro amadores do interior de São Paulo, proporcionando-lhes orientação artística especializada. Essa orientação é dada por meio do envio de profissionais do teatro, que irão desenvolver uma ação pedagógica e um acompanhamento aos grupos selecionados.
O nome homenageia o diretor Ademar Guerra, nascido em Sorocaba em 1933 e reconhecido por seus espetáculos feitos de forma exclusiva, nos quais utilizava uma forma muito própria e eficiente de dirigir.


O que a participação no Projeto Ademar Guerra pode proporcionar ao grupo?
Ganho de técnicas no teatro de rua, por exemplo, pois para conseguir tal orientação, precisaríamos de um curso fora da cidade, o que é caro, sem condições de levar todo o grupo para participar.  Evolução profissional, deixar o Athos como uma referência na cidade, para que quem participa ou participou do grupo possa utilizá-lo como referência profissional.

A temática “Atos de Rua” apresentada pelo grupo à seleção do projeto traz algo novo para a cidade?

Esse título é justamente o objetivo do grupo, pois percebemos que nós precisamos trabalhar uma modalidade de teatro diferente. Aqui em Batatais eu nunca vi um grupo de teatro de rua. Vimos nessa modalidade uma maneira de sensibilizar o público, mais especificamente a sociedade de Batatais, para acompanhar novos trabalhos, não só do Athos, mas também dos outros grupos, pois percebemos uma carência de público dentro do Teatro Municipal.

Quanto à Secretaria Municipal de Educação e Cultura, vocês recebem um incentivo para continuar atuando e para participar de projetos como este?

Sobre a Secretaria da Cultura, não tem. Tem Secretaria da Educação e lá, pequenininho, Cultura. Como é que uma pessoa que vai dirigir a Secretaria da Educação vai ter condições de cuidar da Cultura. Como consequência disso, ano passado nós estávamos prontinhos para fazer parte do mapa cultural, só que quem tem que fazer a inscrição no mapa cultural é a prefeitura. Tentamos fazer por conta e não conseguimos, então nos enrolaram de tal maneira que acabamos não participando do mapa cultural.

Já esse ano, há a Associação Cultural, que começou a atuar no meio do ano passado. Ela está unindo todas as modalidades de cultura da cidade: teatro, artes plásticas, música. Essa associação vem ajudar a divulgar os trabalhos artísticos e exigir da prefeitura, em nome de todos, os recursos municipais. Teria que existir duas Secretarias, a Secretaria da Educação e a Secretaria da Cultura, há coisas específicas para cada área: editais, programas, projetos em pauta e isso precisa ser indicado para nós.

Há uma expectativa em saber quem é o orientador (a) artístico (a) que virá?

Inclusive já sabemos quem será nosso orientador, e tivemos a sorte de sermos selecionados por Luciano Santiago Lima, diretor do grupo de teatro Artemanha (Trupe Artemanha – Investigação Urbana). Ele é o perfil do que queremos fazer aqui na cidade, o grupo dele é teatro de rua, trabalham todos os estilos e técnicas que a gente precisa: Commedia Dell’arte, arte circense, musical: voz, canto, música. Ficamos muito contentes por ele ter nos escolhido, pois é o próprio orientador quem escolhe o grupo a ser orientado.

Quando começam as orientações?

Segundo o cronograma do projeto, nós iremos receber o contrato, então assinamos e mandamos para São Paulo. Nos dias 26, 27 e 28 de março vai haver um encontro de todos os grupos que vão receber orientação com seus respectivos orientadores na Capital, iremos eu, diretor do grupo, e um integrante. Em abril, o orientador começa a visitar o grupo quinzenalmente e fazer as orientações que serão de seis horas: duas horas com o diretor e quatro horas com o grupo.
Qual é a próxima apresentação do grupo?

Tem um espetáculo que está saindo, provavelmente em abril, que é “Um Grito Parado no Ar”, de Gianfrancesco Guarnieri.

O que falta para o teatro ser mais reconhecido em Batatais?

Nós divulgamos nossas peças em todos os meios existentes na cidade: rádio, TV, jornal, mas as pessoas não têm sensibilidade para escolher ir ao teatro. A população está tão acostumada ao cinema, por exemplo, que elas conseguem diferenciar um filme bom de um filme ruim, através das técnicas utilizadas, portanto elas já têm uma sensibilidade quanto a isso. Já no teatro, ainda não há essa distinção, algumas peças expressionistas, por exemplo, a crítica elogia, mas o povo vaia, justamente porque não entende, não é acostumado. Então o caminho para alcançar essa sensibilidade no teatro é torná-lo acessível.
Fizemos inclusive uma pesquisa de campo, fomos à rua e perguntamos para as pessoas se elas já haviam assistido a uma peça de teatro, se já assistiu a alguma dos grupos da cidade, qual peça foi, porque não assistiu ou o que achou quando assistiu. Notamos que as pessoas têm um pouco de receio em ir ao teatro sabendo que a peça é de grupos da cidade, um senso popular. Portanto falta mostrar para as pessoas que o teatro tem um valor cultural muito grande, além do valor recreativo.

Entrevista a Fanny Victória

  • Perfil do Grupo Athos no orkut (aqui)

2 comentários:

Sheila disse...

Adorei a matéria...Qual revista vai publicar? (rs) Super propício para a jornada de comuca desse ano...
Continue arrazando...Bjs

Unknown disse...

muito lega!!!
eu gosto muito desse grupo...