Sobre trecho de:
VIRILIO, P. In: A Arte do Motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1996. Cap.: O Complexo dos Meios de Comunicação. Pp: 11-25.
VIRILIO, P. In: A Arte do Motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1996. Cap.: O Complexo dos Meios de Comunicação. Pp: 11-25.
Hoje em dia, no Brasil e em diversos países do mundo, a mídia funciona como uma maneira de imposição de novas culturas e novas crenças. Os meios de comunicação de massa são disseminadores e determinadores de formas de pensamentos. Ligada a interesses políticos e econômicos, toda a imprensa massificadora brasileira pertence à meia dúzia de empresários.
Referenciada por muitos autores como o “quarto poder”, Paul Virilio cita, em A Arte do Motor sobre o complexo dos meios de comunicação (p.12), que “o verdadeiro problema da imprensa e da televisão não é mais tanto o que elas são capazes de mostrar, mas o que ainda podem apagar e esconder”.
“Senhoras e senhores, interrompemos nosso programa de música de dançar para levar a vocês um boletim especial da Intercontinental Radio News. Às 19h40, hora central, o professor Farewell, do Observatório do Monte Genning, Chicago, Illinois, informou ter observado sobre a superfície do planeta Marte várias explosões de gases incandescentes ocorrendo em intervalos regulares.”
O trecho citado acima faz parte da narração da dramatização radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, uma adaptação da ficção de H. G. Wells, realizada pela rádio CBS por Orson Welles, no programa Radioteatro Mercury, na década de 30. A história narrada deixa a população em estado de choque. André Azevedo da Fonseca cita, em uma matéria em seu portifólio na internet, a pesquisadora Gisela Ortiwano que conta que, na época, o programa foi ouvido por pelo menos seis milhões de pessoas. No entanto, metade delas sintonizou o programa depois da introdução que informava ser uma obra de ficção. Calcula-se que aproximadamente 1,2 milhão de pessoas tomaram a dramatização por fato, e pelo menos meio milhão de ouvintes entraram em pânico e agiram de forma a confirmar os eventos até então narrados apenas na ficção.
Esta situação ilustra o poder da manipulação e ficção de fatos na sociedade. As pessoas, mesmo sem nenhuma referência real das situações narradas, ficaram desesperadas, crentes na palavra do rádio.
Hoje em dia a dificuldade de distorção da realidade pelos meios de comunicação enfrenta a barreira da concorrência. Se uma emissora de televisão, por exemplo, dá a notícia contendo informações erradas, logo em seguida ela é obrigada a se desculpar, pois simultaneamente outra emissora, que apurou melhor os fatos, dá a informação certa. Como afirma Virilio, a maior preocupação deve ser o encaminhamento dos fatos, a maneira como eles são despejados para cima da população e se realmente está abrangendo todos os lados da moeda.
Tecnologia
A tecnologia do século XXI veio como um novo aparato para o modo de comunicar, assim como quando surgiu a prensa, o rádio, a televisão. Cada uma destas tecnologias que aconteceu ao longo dos anos contribuiu cada qual de uma maneira diferente para a comunicação.
Do que adianta ter todos os aparatos tecnológicos que dão assistência a uma comunicação de qualidade, com cultura e informações que acrescentam na formação política e social da população, se o importante para os donos deste dito “quarto poder” só se importam em transformar a sociedade em verdadeiros “analfabetos informacionais”.
No ar desde 1986, o Domingão do Faustão, praticamente só mudou os cenários. As mesmas brincadeiras e gincanas ainda acontecem, sem contar na autopromoção dos atores da própria emissora. O mesmo acontece com o Domingo Legal, apresentado por Augusto Liberado de 1993 a 2009.
Como forma de interação na construção deste texto, circule o nome de um quadro que você acha que mais acrescentaria em sua cultura, deste último programa citado (Domingo Legal):
Aconteceu Comigo; Casamento do Domingo Legal; Concurso Beyoncé; Construindo um Sonho; De Volta pra Minha Terra; Dormindo Legal; Lendas Urbanas; Loucuras de Amor; Meu Pai é Melhor Que o Seu Pai; Top 10 – Internet; Top 5 – Cães; Você não vale nada, mas eu gosto de você; As Aventuras de David e Maira; Piscina Maluca; Telegrama Legal; Foto Premiada; Cofre Premiado.
Chega a ser hilária a análise só pelos nomes dos quadros. É difícil perceber alguma diferença na programação de hoje com a programação dos primeiros anos na década de 90.
O monopólio, principalmente da televisão (o meio mais massificado que existe), é, como citado por Virilio no texto, a verdadeira MIDIATIZAÇÃO, o que, na verdade, é o oposto de COMUNICAÇÃO.
Internet
Podemos dizer que a internet pode ter contribuído no que diz respeito à produção independente. Por meio de sítios pessoais e blogs, a população (que hoje tem bastante acesso à este tipo de tecnologia) pode participar ativamente da troca de informações. Na informalidade, como podemos dizer, as pessoas acabam criando uma maneira de disseminar o seu pensamento, e, em muitas vezes, desabafando o quanto estão insatisfeitas com a programação da televisão, por exemplo.
Depois de assistir ao filme “Mera Coincidência”, que conta que o presidente dos Estados Unidos (Michael Belson), a poucos dias antes da eleição, se vê envolvido em um escândalo sexual e, diante disto, não vê muita chance de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores entra em contato com um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para que este "invente" uma guerra na Albânia, na qual o presidente poderia ajudar a terminar, além de desviar a atenção pública para outro fato bem mais apropriado para interesses eleitoreiros. Assim como no filme “Show de Truman” o sentimento é de que tudo está sendo controlado por alguém e que a maioria da população obtém o irreal, uma ficção da própria vida.
O poder de persuasão dos meios de comunicação na realidade pode ser citado como o exemplo da Globo, qual império comunicacional domina o Brasil. E assim como tudo em nosso país e em outros, a educação é a base de todo conhecimento e ampliação da visão daquela população mais pobre, a massa. E é aí que entra a vontade política, pois não é interessante para os governantes que todos saibam se defender, que todos saibam que estão sendo facilmente manipulados.
Assim como o homem busca alguém sobre-humano para creditar a criação da vida (Deus), também busca algo sobre-humano para creditar tudo o que fazemos, tudo o que acontece e que está longe dos olhos de cada um. Portando a cultura de “assistir televisão” se torna cada vez mais um hábito de receber informações verídicas sem investigação ou qualquer tipo de indagação.
Outro exemplo prático de persuasão (que nem é escondido, é o próprio objetivo) é o das propagandas que criam no ser humano uma necessidade desnecessária. Na verdade tudo isso tende a mudar, para melhor, pois os homens estão cada vez mais atentos e em busca de novos meios de comunicação, daqueles mais alternativos, sem muita massificação, analisando antes de comprar, buscando versões diferentes, se não continuaremos dominados por um "Grande irmão" ou Big Brother, se preferir, como propôs George Orwell no livro 1984.
Segundo texto da Revista PUCViva, sobre o poder da mídia e a democratização dos meio de comunicação, de Orlando Fantazzini,
“Toda veiculação de uma informação ou comunicação deve ser balizada pelo princípio da verdade e de que as informações sejam corretas e plurais, respeitadoras dos direitos de todos. Com isso, visa-se a proteger não somente o emissor, mas também o receptor do processo da comunicação. O direito humano à comunicação implica o reconhecimento de que os indivíduos têm o direito de debater e participar das programações dos meios de comunicação. Ter massas de espectadores passivos dos meios de informação e comunicação não contribui para o Estado democrático de Direito."

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