segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Votos brancos x Cegueira

      Há poucas páginas para eu terminar o livro ‘Ensaio Sobre a Lucidez’, mas há muito que me esclarecer. No ápice da história, na qual quase a capital inteira de um país resolve votar em branco nos dois turnos das eleições (80% da população), os governantes estão desesperadamente à procura de um culpado, de alguém que tenha encabeçado toda a situação.
      Depois de abandonarem a cidade na calada da noite, isto mesmo, os governantes e todo o pessoal do poder público foram embora e deixaram a cidade sem nada (policiamento, prefeitura, corpo de bombeiros, etc) a fim de que o culpado (ou os culpados) do caso confessasse a organização dos votos. Até máquina da verdade chegaram a usar. Cercaram toda a capital no esquema ‘ninguém sai e ninguém entra’ até que tudo esteja resolvido.
      A cidade parece bem até o momento, não sente a falta dos políticos que ali estavam antes das eleições. Consegue se virar sozinha. Na rua, nenhum sinal de combinações de voto, rebeliões, reuniões de grupos esquerdistas, oposicionistas, nada. Os governantes começam a se descabelar.
      Sem nenhum culpado aparentemente, o poder público, fora da capital, começa a querer investigar e ‘botar a culpa em alguém’. É então que, a partir de uma carta, enviada por um cidadão comum, eles resolvem ir atrás da única pessoa que não cegou há tempos (no livro, a ‘epidemia’ de cegueira branca, narrada no livro Ensaio Sobre a Cegueira, se passou no mesmo país há quatro anos), quando uma nuvem branca tomou os céus daquela capital e de todo o país.
      Tentam agora, estabelecer uma possível relação entre um suposto mandante da onda de votos brancos com a mulher do médico, que no tempo da cegueira, foi a única que não foi afetada.
      Será que realmente existe esta relação? Ou toda a capital está cansada dos políticos corruptos e nenhum dos candidatos à eleição estava dentro do desejado? Alguma semelhança com a situação atual do Brasil?
      Uma vez fui criticada por sugerir livros do Saramago para leituras da sala. “Lá vem a Fanny com o Saramago. Deixa disso, esses livros são ‘carne seca’, ficam estirados nas livrarias, são campeões de venda, sempre desconfio destes Best-sellers.”
      Fico feliz por Saramagos serem populares. Para mim podem ser considerados abridores de mentes, esclarecedor de situações e preconceitos. Carne seca para mim são histórias que não acrescentam nada à nossa vida, como Crepúsculo, por exemplo.
      Ainda bem que gosto é igual ... deixa pra lá. Quando terminar de ler volto aqui para contar a vocês um pouco mais da história.
      Quem quiser saber mais sobre este autor clique aqui

Nenhum comentário: