terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cinema Novo brasileiro e seus grandes nomes

A dominação da cultura cinematográfica norte-americana é tão grande no brasil que poucas pessoas conseguem se posicionar com relação ao cinema nacional.  

Durante a década de 1950, a indústria cultural brasileira sofria com diversos entraves que impediam a realização de produções cinematográficas com grande qualidade técnica.  Dessa forma, jovens intelectuais e artistas passaram a discutir um novo rumo para o cinema nacional.

A primeira importante manifestação desse sentimento de mudança aconteceu em 1952, com a organização do I Congresso Paulista de Cinema Brasileiro. Nesse encontro eles procuraram um modelo para o cinema nacional que distanciasse do cinema norte-americano.

E assim, tiveram grande interesse em dialogar com os elementos realistas oferecidos pelo neo-realismo italiano e a “nouvelle vague” francesa.

Comprovando seu tom realista, os filmes então começaram a retratar a problemática do subdesenvolvimento nacional e, por isso, inseriam trabalhadores rurais e sertanejos nordestinos em suas histórias. Preferiam o uso de cenários simples ou naturais, imagens sem muito movimento, a presença de diálogos extensos entre as personagens. Era perceptível a atuação de atores que não profissionais.

Os cineastas começaram a sair às ruas e a utilizar a câmera na mão, abandonando o velho tripé, tendo como princípio a frase do texto ‘manifesto da fome’, de Glauber Rocha que diz: “uma câmera na mão e um idéia na cabeça”.

1955 - RIO 40 GRAUS /INAUGURAÇÃO DO CINEMA NOVO
Considerado como um divisor de águas no cinema brasileiro, o filme “Rio, 40 graus”, do diretor Nelson Pereira dos Santos, conseguiu sintetizar várias características propostas do novo cinema.

O enredo mostra o calor, a violência, a falta de solidariedade e o descaso com a miséria em um Rio de Janeiro que não era visto nos cartões-postais. Copacabana, Pão de Açúcar, Corcovado, Quinta da Boa Vista e Estádio Maracanã são alguns dos pontos onde as cenas acontecem.

O impacto do filme foi tão grande que o Serviço de Censura tentou vetar sua exibição. O país passava por um momento muito sensível pelo suicídio de Getúlio Vargas.

Depois disso, outros cineastas baianos e cariocas simpatizaram com a nova proposta estético-temática para o cinema brasileiro.

1961 – BARRAVENTO
Glauber Rocha lança internacionalmente o cinema brasileiro com o filme Barravento. A história acompanha um negro educado que volta à aldeiazinha de pescadores em que foi criado para tentar livrar o povo do domínio da religião.

1962 - OS CAFAGESTES
Ruy Guerra lança em 1962 “Os Cafajestes”, que provocou um escândalo moral por ser o primeiro filme brasileiro a mostrar o nu frontal, tendo como protagonista a atriz Norma Bengell.
Também em 62 o filme “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte conquista a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

1963 - VIDAS SECAS
Dirigido por Nelson Pereira dos Santos, baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos. Pressionados pela seca, uma família de retirantes composta por Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia, atravessam o sertão em busca de meios para sobreviver.

O segundo período do Cinema Novo, que vai de 1964 a 1968, dialoga com o agitado contexto de instalação da ditadura militar no Brasil. Os projetos desenvolvimentistas e o discurso em favor da ordem social passaram a figurar outro tipo de temática dentro do movimento.

1964 - GOLPE DE ESTADO – DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL
Ano terrível para a democracia no país, mas de ouro para o cinema nacional. Glauber Rocha lança sua obra prima “Deus e o diabo na terra do sol” alguns dias antes do golpe militar. O filme descreve a saga de um casal de camponeses submetidos à exploração, ao misticismo e à violência. Tido como um marco da cinematografia latino-americana, “Deus e o diabo na terra do sol” sofreu forte influência do cineasta russo Serguei Eisenstein por ser marcado pelo ritmo e simetria.

O Golpe de Estado interrompe a produção do documentário “Cabra Marcado para morrer”, do diretor Eduardo Coutinho. O filme é uma narrativa semidocumental da vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. As filmagens recomeçaram 17 anos depois, já com gravações à cores,  recolhendo os depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens.

GLAUBER ROCHA
Se fosse feita uma pesquisa com os críticos de cinema para indentificar os diretores que mais contribuíram para o aprimoramento da linguagem cinematográfica ao longo do século passado, seria bastante provável que Glauber estivesse ao lado de diretores como Griffith, Eiseinstein e Orson Welles.

1966 – INC
O Instituto Nacional de Cinema foi criado em 1966 em substituição ao INCE - Instituto Nacional de Cinema Educacional. O INC foi extinto em 1975.

1967 - TERRA EM TRANSE
Roteiro e direção de Glauber Rocha, Terra em Transe é um filme no qual qualquer semelhança com a situação do país no início dos anos 60, que levou à ditadura militar do Brasil, são naturalmente intencionais.
Em abril de 1967, o filme foi proibido em todo território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja e só foi liberado com a condição de que fosse dado um nome ao padre interpetrado por Jofre Soares.

1968
Glauber Rocha lança “O Dragão da maldade contra o santo guerreiro”, Melhor Direção em Cannes.
Em 13 de dezembro de 1968 é assinado o Ato Institucional Número Cinco. O AI-5 foi o instrumento que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano, o golpe torna-se uma ditadura.

Após esse período, a predominância do discurso político engajado perde sua força na produção do cinema novo.  Essa nova mudança refletia a eficácia dos instrumentos de censura e repressão estabelecidos pela ditadura militar.

Com isso, a crítica ácida e direta encontrada nas produções anteriores vai perder lugar para a representação de um Brasil marcado por sua exuberância e outras figuras típicas. Nesse mesmo período, o Cinema Novo se aproximou da proposta do Tropicalismo, movimento musical que criticava o nacionalismo ufanista e a aversão radical aos elementos da cultura estrangeira.

Nesse último período do Cinema Novo, que se estende de 1968 a 1972, temos um volume menor de produções. O cinema das ideologias começava a se diluir.

1969 – MACUNAÍMA
 Inspirado na obra homônima de Mário de Andrade, Joaquim Pedro de Andrade reconta, por meio do filme “Macunaíma”, a trajetória do festivo e sensual herói da literatura brasileira. A partir desse filme, vemos que a questão nacional passa a ser rearticulada fora dos limites da estética realista.




Apesar do respeito alcançado junto à crítica cinematográfica nacional e internacional, a linguagem complexa dos filmes afastou os brasileiros do cinema. O Cinema Novo não trouxe alteração na situação do mercado de filmes no país, que continuou dominado pelas produções norte-americanas. Contudo não é exagero afirmar que do ponto de vista artístico, estético e narrativo foi o melhor momento da história do cinema brasileiro.

*trabalho feito por Fanny Victória, Fabiano Cruz e Uelinton Costa em 2009.

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